- Côu, côu, côu!!!

Esses gritos ainda vagam pela minha mente.

Quando minha avó morreu, disseram que ela havia ido para o céu. Lembro-me de olhar a noite estrelada à procura de minha avó, sem entender por qual razão não a enxergava.

Lembro-me do campo de futebol, um dos palcos da minha infância. Outro dia o vi praticamente abandonado, em mais um gol contra do tempo.

Fecho os olhos e então vejo o trem passando como um gigante, gritando alto e fazendo tremer nossa casa perto da linha.

Lembro-me de meu pai e seus irmãos, sempre unidos.

São muitas lembranças, recordações que obviamente passam pelos carros: a kombi verde do meu pai, o fusca verde do meu tio, a Variant TL de um outro tio, o Fiat 147 do meu primo e assim por diante.

 Como os carros daquela época eram diferentes. Como tudo era diferente. Estas lembranças viajam sempre dentro de mim, levando no bagageiro saudades, alegrias e dores, sentimentos que construíram o viajante que sou hoje.

Um abraço do Piloto X. Paz.


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