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O urtigão

Apesar do Odir ser um sujeito sempre atencioso e agradável, um dos bons amigos que fiz na internet, e de acreditar que o evento seria bastante interessante, assim como o livro, não pude ir.

Raramente saio de Minas Gerais. Sou meio Urtigão, aquele personagem de Walt Disney que mora no campo, anda descalço, tem uma barba enorme, um chapéu murcho e uma cartucheira pronta para disparar a qualquer momento.

O Urtigão é um solitário que não gosta de ninguém por perto. Esse lado Urtigão é muito forte em mim, assim como o é no ex-jogador Tostão, colunista de vários jornais brasileiros e que também só aparece se for raptado e levado à força.

Gosto de ficar em casa, longe de multidões. Gosto de estar no meu kart, acelerando na solidão que os pilotos encontram debaixo do capacete. Gosto de estar no meu jipe, em meio à natureza, ouvindo os sons do silêncio do mato. Gosto de estar no computador, olhando de longe o mundo pela internet. Gosto, enfim, da paz e da quietude que a solidão me traz.

Existe uma música que curto bastante e que retrata esse meu lado Urtigão. O título da canção é “Vida Boa” e ela diz o seguinte:

“Moro num lugar

Numa casinha inocente do sertão

De fogo baixo aceso no fogão, fogão à lenha ai, ai

Tenho tudo aqui

Umas vaquinha leiteira,um burro bão

Uma baixada ribeira, um violão e umas galinha ai, ai

Tenho no quintal uns pé de fruta e de flor

E no meu peito por amor, plantei alguém, plantei alguém

Que vida boa ô ô ô

Que vida boa

Sapo caiu na lagoa, sou eu no caminho do meu sertão

Vez e outra vou

Na venda do vilarejo pra comprar

Sal grosso, cravo e outras coisa que fartá, marvada

pinga ai, ai

Pego o meu burrão

Faço na estrada a poeira levantar

Qualquer tristeza que for não vai passar do mata-burro ai, ai

Galopando vou

Depois da curva tem alguém

Que chamo sempre de meu bem, a me esperar, a me esperar”

Essa música foi escrita por Victor Chaves, da dupla mineira Victor e Léo. Pelo visto, Victor também é um Urtigão assumido.


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