Acredito que o problema maior de Nelsinho seja o psicológico, a cobrança de todos (e dele próprio) para que “honre” os feitos de seu pai.

Já vimos um filme muito parecido com este. Barrichello também tentou ocupar o vazio deixado por Senna. Mas ninguém é igual a ninguém e Rubinho acabou se dando mal no fim das contas.

A propósito de Barrichello, vale frisar que a vida e as corridas são repletas de ironias. Os Piquet (principalmente o pai) várias vezes criticaram a performance de Rubinho. A meu ver, tinham razão. Porém, nunca poderiam imaginar que um dia, na F1, o velho Rubinho acabaria se saindo melhor que o jovem Nelsinho.

Esta é a vida, assim são as corridas. Massa começou o ano mal e hoje já é franco candidato ao título. Já a Ferrari, considerada a rainha das estratégias, fez feio em Mônaco e no Canadá.

A vida e as corridas dão literalmente muitas voltas. Lewis Hamilton que o diga, ao perder um campeonato ganho no ano passado e também ao dar show em Mônaco e em seguida atropelar Raikkonen no último GP. Outro exemplo: Robert Kubica. No ano passado, no Canadá, o terrível acidente. Neste ano, a sensacional vitória.

Por todas essas razões, acredito que Nelsinho Piquet tenha condição de dar a volta por cima, apesar de tudo. No momento, sua situação é muito preocupante. Ele precisa urgentemente fazer uma boa corrida, porque a Fórmula 1, um ambiente de multinacionais e negócios bilionários, é uma máquina de moer gente.

O filho do grande tricampeão está com o pé na entrada da máquina e prestes a ser moído. Quase não há mais tempo para engatar marcha à ré e mudar de direção. As cartas estão na mesa, mas nas voltas das corridas e da vida, nenhuma possibilidade pode ser descartada antecipadamente.

 

Ayrton Piquetoso e Piloto X: Coluna bi-semanal de Sandro Mendes. Sandro é jornalista formado pela Universidade Católica de Minas Gerais. Exerceu o cargo de assessor de imprensa da Assembléia Legislativa de MG e atualmente é diretor de redação da Gizz Publicidade e da Revista Sucesso. O Título Da Coluna é Uma Homenagem aos dois maiores Pilotos Brasileiros da F 1, Ayrton Senna e Nelson Piquet. O texto publicado nesta coluna é de responsabilidade do autor, e pode não expressar a opinião total ou parcial do RaceWEB  sobre o assunto. 


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